Autorizado pela Justiça, menino de 8 anos ajuda nas buscas e aponta local onde esteve com primos desaparecidos no MA
21/01/2026
(Foto: Reprodução) Marinha amplia buscas em rio perto de onde irmãos desapareceram há 18 dias no Maranhão
O menino de 8 anos, primo de Ágatha Isabelly, de 6 anos, e de Allan Michael, de 4, que estão desaparecidos há 18 dias em Bacabal (MA), participou das buscas pelas crianças com autorização da Justiça do Maranhão.
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Acompanhado por policiais e por uma equipe da rede de proteção à infância, o menino indicou os últimos caminhos que percorreu com os primos até o momento em que foi encontrado. Ele reafirmou as informações já prestadas a peritos da Polícia Civil e à equipe de psicólogos que o acompanha.
A criança também esteve em uma cabana conhecida pelos policiais como “casa caída”, localizada a cerca de 500 metros do rio Mearim. Segundo o menino, esse foi o último local onde esteve com os primos antes de sair em busca de ajuda. Cães farejadores confirmaram a presença das crianças no local.
Os cães farejadores identificaram que Ágatha Isabelly, Allan Michael e o primo deles, Anderson Kauã, de 8 anos - resgatado no dia 7 de janeiro, estiveram na casa, chamada pelos policiais como "casa caída", localizada no povoado São Raimundo, na zona rural de Bacabal (MA).
Divulgação/ SSP
Uma rede de proteção foi criada para manter o menino afastado de qualquer tipo de assédio ou exposição. Ele seguirá recebendo acompanhamento psicológico contínuo.
“Esse dano emocional vai existir. Por isso, esse cuidado e esse acompanhamento precisam ser mantidos para evitar danos emocionais maiores e impedir que ele seja revitimizado”, afirmou a psicóloga Ana Letícia.
O menino recebeu alta hospitalar na terça-feira (20), após permanecer internado por 14 dias. Ele foi encontrado no dia 7 de janeiro por carroceiros que passavam por uma estrada vicinal em um povoado de Bacabal, depois de ter ficado desaparecido por três dias.
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Buscas seguem na região do rio
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Reprodução/TV Globo
As buscas por Ágatha e Allan continuam, apesar da ausência de pistas concretas sobre o paradeiro das crianças. Equipes de diferentes forças estaduais e federais seguem atuando na operação.
Nesta quarta-feira (21), a Marinha do Brasil e o Corpo de Bombeiros Militar do Maranhão ampliaram a área de varredura no rio Mearim. O objetivo é descartar a possibilidade de que as crianças tenham caído na água.
O acampamento montado no quilombo São Sebastião dos Pretos, onde as crianças moravam, foi desativado após a varredura minuciosa de toda a área de mata e dos lagos no entorno, sem que nada fosse encontrado.
Com a saída dos voluntários que auxiliaram nas duas primeiras semanas de buscas, a comunidade começa a retomar a rotina. José Emídio Reis, avô das crianças, expressou o desejo da família.
“O que eu mais quero é abraçar, como sempre fazia todos os dias pela manhã e à noite, antes de dormir. O que eu espero é dar um abraço neles e beijar muito, muito, e não saber quando isso vai acabar”, disse o avô.
Sonar auxilia nas operações
Scanner faz ‘raio‑x’ do fundo do rio e orienta mergulhadores nas buscas.
Divulgação/SSP-MA
As buscas estão concentradas no trecho onde cães farejadores identificaram vestígios da presença das crianças. Militares da Marinha utilizam o equipamento subaquático side scan sonar para varrer cerca de um quilômetro do rio Mearim.
➡️ O side scan sonar é um equipamento utilizado para mapear áreas submersas por meio de ondas sonoras, produzindo imagens do fundo do rio ou do mar, mesmo em locais com pouca visibilidade.
O equipamento veio do Centro de Hidrografia e Navegação do Norte, em Belém (PA), e chegou a Bacabal no sábado (17). Desde o domingo (18), ele tem auxiliado nas buscas, com o apoio de 11 militares da Marinha.
Polícia investiga o caso
Uma comissão formada por oito delegados e investigadores da Polícia Civil do Maranhão (PC-MA) atua no inquérito que apura o caso.
Na segunda-feira (19), agentes da Secretaria de Segurança Pública do Maranhão (SSP-MA) visitaram uma vila de pescadores no povoado São Raimundo, próximo ao local onde o menino de 8 anos foi encontrado.
➡️ Os moradores foram ouvidos como testemunhas. Segundo a Polícia Civil, até o momento não há indícios de envolvimento deles no desaparecimento. A intenção é reunir o maior número possível de informações que possam contribuir para a localização de Ágatha e Allan.
INFOGRÁFICO - Crianças desaparecidas em Bacabal, no Maranhão
Arte/g1